domingo, 11 de janeiro de 2026

Goethe e o Ouro

Brotam os filhos da terra.

Deles nascem os frutos:

Doces como o néctar,

Dourados como o sol.

 

Colhidos no verão escaldante

E adormecidos na escuridão

De uma noite sem fim.

 

Canta, de dentro da garrafa,

A alma do vinho aprisionada –

Bebida dos deuses do Olimpo

Que eternizava a vida.

 

Brindes e risos.

Abraços e aconchegos.

Nostalgias.

 

A poesia líquida é derramada em taças,

Deixando seu brilho

Reluzente como ouro

E o aroma do vinho Goethe.

 

Rita Padoin 



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Doce Estação

Esta estação é tão doce! Tão intensa!

Traz a nostalgia de um passado distante.

A chuva que torrencialmente lava a terra,

Lava também as minhas emoções.

 

Caminhas a passos lentos e cabisbaixo.

Trazes nas mãos, flores. No peito, a saudade.

O tempo acompanha revelando todos

Os segredos de um passado distante.

 

Rita Padoin




quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Pálida de Espanto

Da janela, contemplo, pálida de espanto,

O céu iluminado, carregado de estrelas.

Ao me deparar com tamanha beleza e inspiração

Cortejo com os astros, como se a ti cortejasse.

 

Relembro, coberta pelo manto escuro da noite,

O mistério que me envolve e me acaricia.

Amorosamente, como se fôssemos amigos íntimos

Buscando acalento e relembrando um passado.

 

Altas horas e os fantasmas me atormentam.

Iludida. Atormentada. Desfaleço entre o caos

E a tórrida lava de um extenso vulcão

Que pertence a um mundo interno e incerto.

 

O muro de silêncio divide dois mundos sepulcrais.

Minhas mãos suadas e trêmulas o empurram,

Sem sucesso. Exausta, reclino e o incerto sentimento

Esvai-se entre a noite e o silêncio da madrugada.

 

Rita Padoin

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Noite Invernal

A lua alta brilha no céu negro.

O vento corta em rajadas intensas.

Sobre os ombros, um xale de lã

Aquecendo a fria noite invernal.

 

Rita Padoin

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A Verdade

A verdade nua e crua vive às margens do caminho

Quantas luas ainda passarão, quantos sóis nascerão.

Quantas vidas serão levadas e quantas ainda virão.

Só o tempo sagrado poderá nos dizer.

 

O caminho estará livre, sempre estará.

Os passos serão lentos e o vento cantará friamente.

Os olhos se abrirão e o medo tomará conta

Do momento e da nossa imaginação.

 

São as verdades nuas e cruas descortinadas

Pelas mãos do homem sofrido que caminha cabisbaixo.

Quantas e quantas noites mal dormidas e

Quantos pesadelos dominaram sua mente.

 

Assim vão passando os dias, as horas e as noites.

Os pesadelos e os sonhos serão levados juntos.

A imaginação e as nossas mãos estendidas

Tentarão buscar e trazer para perto, os sonhos.

 

Rita Padoin




quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Sinais do Silêncio

Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.

 

Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.

 

Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.

 

Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.

 

Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.

 

Rita Padoin

domingo, 23 de novembro de 2025

Entre Frestas e Razões

De tempos em tempos, reciclo minhas energias – rego o jardim, rascunho versos, ouço músicas. Cada canto é uma mistura de sentimentos oblíquos. Não entendo os porquês, nem as razões. Não entendo nada. Nada mesmo. Ainda assim continuo a olhar, por entre as frestas da janela do tempo, para descobrir o obvio – aquilo que foi me oferecido nas entrelinhas. Recordo algumas coisas: outras nem sei por que estou aqui.

 

Minhas intenções são as melhores, mas não entende – ou finge que não entende. Há risco de se ferir com as próprias lutas e com as próprias mãos. Não consigo lidar com tudo isso. Será que entende? Tenho meus métodos, minhas razões, minhas atitudes. Gostaria de ser mais paciente, mais racional, mas é tão complicado. – tão fora da minha realidade.

 

Sinto que preciso me concentrar, encarar com mais naturalidade, aceitar exatamente do nosso jeito. Os mistérios existem para serem desvendados. Abrir portas e encarar a realidade nua e crua. Meus pés estão dormentes: andar sem saber se o caminho é o certo cansa. Seguir convicta de que estou certa também é arriscado. Arriscar ou caminhar devagar? Eis a questão.

 

Prefiro, pensar e repensar as razões...

 

Rita Padoin